A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande - Roger de Bussy-Rabutin [1618-1693]
Amor…
Acho que nunca estivemos tão afastados, tão separados, tão distantes. E, infelizmente, não se trata de uma distância física ou geográfica. Pelo contrário, o que nos separa neste momento são as dores, as desilusões, as mágoas e o silêncio. O silêncio…Esse torturante silêncio que destrói sonhos, desfaz ilusões, aniquila toda e qualquer esperança de felicidade. Mesmo para mim, que nunca acreditei na felicidade…
Não te sei dizer como me sinto…Sinto tantas coisas em simultâneo e, ao mesmo tempo, uma estranha sensação de vazio. Faltas-me. Isso sei, isso sinto, isso vivo. A minha vida e o meu dia a dia não são os mesmos sem ti. O teu sorriso alegrava-me, os teus olhos faziam-me sonhar, os teus abraços e o teu carinho reconfortavam-me. E os teus sonhos, fossem eles utopias ou pesadelos, levavam-me para longe. Levavam-me para outros mundos. Levavam-me da realidade onde eu nunca me encaixei, onde eu não sei se algum dia encaixarei.
Sem ti, sem te ter por perto, tudo se torna insípido e sensaborão. Já sei que, se agora me lesses, terias provavelmente um acesso de fúria e vociferarias contra esta minha estúpida veia romântica e nostálgica de me entregar às palavras. Mas sabes uma coisa? Até dos teus acessos de fúria tenho saudades, das tuas mudanças de humor, das súbitas – e quase sempre inexplicadas – alterações de expressão.
Só não tenho saudades de uma coisa. De te ver sofrer. De sentir que era eu a razão desse sofrimento. De te fazer chorar. De te fazer perder o chão e o equilíbrio. Talvez – como eu - sofras neste momento. Talvez esta minha atitude seja mais um gesto de cobardia por preferir sofrer sozinho, por optar por não assistir ao teu sofrimento, por enfiar a cabeça debaixo da areia à espera que as tempestades passem. Bem sei que, com as tempestades, segue também a minha vida. E também sei que essa vida não volta atrás. Nada volta atrás…
É tudo tão estranho e complicado. Eu sou tão estranho e complicado. Por mais voltas e voltas que dê, nunca me consigo entender, nunca consigo seguir determinado por este ou por aquele caminho. Como se estivesse preso, de mãos e pés atados, e me deixasse levar. Sem opção, sem escolha, sem vontade.
E, no entanto, Amo-te. Seria tudo tão mais fácil se eu não te Amasse, se eu fosse capaz de virar a página, se eu fosse capaz de te colocar numa prateleirinha qualquer como um bibelot de recordação de uma viagem passada. Mas nada se passa assim. Onde me faltas, onde sinto a tua ausência, onde moram as saudades, é no meu dia a dia, nos almoços onde não estás, nos caminhos onde não te encontro, no leito onde não dormes, nos meus braços onde não te aninhas. Bem sei que te tenho sempre comigo: no meu coração, nas minhas recordações, nas minhas palavras e nos meus sonhos. Bem sei que aí tens uma morada segura e que aí ninguém te tocará, que ninguém te apagará ou suplantará. Sei que no meu coração terei sempre oportunidade de te mostrar o quanto te Amo, o quanto significas para mim, o valor do carinho que te devoto. Mas chegará isso para me fazer feliz? Chegará isso para saciar a fome que tenho de ti? Chegará isso para que eu consiga ver a luz do Sol? Por mais que eu persista em rejeitar o conceito de felicidade, sei bem que a resposta a todas essas perguntas será um rotundo não. A tua ausência, a nossa separação, o silêncio, todos juntos, deixam-me entregue à minha rotineira tristeza, ao meu habitual desalento, à minha natural depressão. Porque, muito para além das nossas meras vontades, és tu a magia, a fantasia, o sonho e o encanto desta minha existência infeliz…
Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir. Caio F. Abreu
sexta-feira, 30 de março de 2012
Amor,
Estou no céu, literalmente no céu. Não sei o que sobrevoo, não sei onde estou - para alem do céu - sei mais ou menos para onde vou. Se lá chegar...
Sei tão poucas coisas...Será que ao longo da vida terei sempre tantas dúvidas, tantas questões, tantos medos? No entanto, no meio de toda esta indefinição e incerteza que é a minha vida – e este voo - sei que te Amo. Sei que é em ti que eu penso enquanto voo para parte incerta. Sei que é de ti que eu me lembro quando olho as nuvens e o céu. Sei que é contigo que sonho quando fecho os olhos e me deixo levar. Sei que seriam os teus braços que agora me fariam sorrir. Sei que és tu...
Neste momento estás longe. Temos o céu e a terra a separar-nos. Mas, apesar de tudo, voo na tua direcção. Ainda que por breves instantes, dentro de pouco tempo estarei lá no alto sobre a tua cabeça. Talvez me sintas e olhes para o céu. Talvez vejas um avião. Talvez penses em mim. Eu estarei a pensar em ti, já que nada mais faço hoje em dia. Talvez te diga adeus. Talvez as pessoas ao meu lado pensem que sou mais um doido que diz adeus a ninguém. Não sou doido, pois não? Lá em baixo respondes a esse adeus, não respondes?
De qualquer maneira não me interessa se pensam ou não que sou doido. Se calhar Amar como te Amo é, na verdade, uma questão de loucura. Ou então são loucos aqueles que dizem “amo-te” sem o sentir. Lembras-te da primeira vez em que eu disse que te amava? E tu me respondeste: “não amas nada...”? Se calhar não te Amava – pelo menos como te Amo agora, mas precisava tanto de to dizer...Tinha aquelas palavras, aquelas emoções, aquele sentimento todo entalado na garganta. Queria to entregar, queria me desfazer para ti, queria que sugasses todo o meu Amor, mesmo aquele que eu ainda não sentia.
E o amor que te dei nesse dia foi uma pequena semente que regámos e cuidámos. Com carinho, amizade, partilha, aventura. E cresceu, agigantou-se, tornou-se maior do que algum dia imaginámos. E hoje assusta-nos, como se nada mais fizesse sentido, como se o resto do mundo se tivesse tornado pequeno, insignificante, fútil e inútil. Por isso agora, enquanto estou nos céus, enquanto nada me prende ao solo, é a ti que eu estou ligado. Pelo coração, por fios mágicos que fazem com que estejas presente, por sonhos, por ondas hertzianas, seja porque via for. Agora, que me sinto quase livre, de livre vontade me prendo a ti. Porque sem ti a liberdade de pouco ou nada me vale.
Agora voo. Mas o meu sonho é aterrar directamente nos teus braços.
Estou no céu, literalmente no céu. Não sei o que sobrevoo, não sei onde estou - para alem do céu - sei mais ou menos para onde vou. Se lá chegar...
Sei tão poucas coisas...Será que ao longo da vida terei sempre tantas dúvidas, tantas questões, tantos medos? No entanto, no meio de toda esta indefinição e incerteza que é a minha vida – e este voo - sei que te Amo. Sei que é em ti que eu penso enquanto voo para parte incerta. Sei que é de ti que eu me lembro quando olho as nuvens e o céu. Sei que é contigo que sonho quando fecho os olhos e me deixo levar. Sei que seriam os teus braços que agora me fariam sorrir. Sei que és tu...
Neste momento estás longe. Temos o céu e a terra a separar-nos. Mas, apesar de tudo, voo na tua direcção. Ainda que por breves instantes, dentro de pouco tempo estarei lá no alto sobre a tua cabeça. Talvez me sintas e olhes para o céu. Talvez vejas um avião. Talvez penses em mim. Eu estarei a pensar em ti, já que nada mais faço hoje em dia. Talvez te diga adeus. Talvez as pessoas ao meu lado pensem que sou mais um doido que diz adeus a ninguém. Não sou doido, pois não? Lá em baixo respondes a esse adeus, não respondes?
De qualquer maneira não me interessa se pensam ou não que sou doido. Se calhar Amar como te Amo é, na verdade, uma questão de loucura. Ou então são loucos aqueles que dizem “amo-te” sem o sentir. Lembras-te da primeira vez em que eu disse que te amava? E tu me respondeste: “não amas nada...”? Se calhar não te Amava – pelo menos como te Amo agora, mas precisava tanto de to dizer...Tinha aquelas palavras, aquelas emoções, aquele sentimento todo entalado na garganta. Queria to entregar, queria me desfazer para ti, queria que sugasses todo o meu Amor, mesmo aquele que eu ainda não sentia.
E o amor que te dei nesse dia foi uma pequena semente que regámos e cuidámos. Com carinho, amizade, partilha, aventura. E cresceu, agigantou-se, tornou-se maior do que algum dia imaginámos. E hoje assusta-nos, como se nada mais fizesse sentido, como se o resto do mundo se tivesse tornado pequeno, insignificante, fútil e inútil. Por isso agora, enquanto estou nos céus, enquanto nada me prende ao solo, é a ti que eu estou ligado. Pelo coração, por fios mágicos que fazem com que estejas presente, por sonhos, por ondas hertzianas, seja porque via for. Agora, que me sinto quase livre, de livre vontade me prendo a ti. Porque sem ti a liberdade de pouco ou nada me vale.
Agora voo. Mas o meu sonho é aterrar directamente nos teus braços.
O tempo não para
Diz-me, por favor, que consegues parar o tempo. Que os minutos seguintes não apagam este que agora vivemos. Que as horas se deixam estar lá longe sem que as tenhamos de ver. Que os dias, que se seguiriam a este, adormecem e esperam…
Diz-me que és capaz da suprema magia de transformar este momento em algo que dure para sempre. Que nada nem ninguém nos interromperá. Que os nossos corpos ficarão entrelaçados um no outro, sem tempo nem espaço.
Diz-me que farás com que os teus braços sejam os meus braços, que as minhas sejam as tuas pernas, que as nossas bocas sejam só uma, que os nossos corpos, de tal maneira unidos, se confundam e fundem um no outro.
Sei que, na prática, é impossível parar o tempo. Não conseguimos sustê-lo, não conseguimos impedi-lo de seguir em frente, não conseguimos congelá-lo. E, vendo bem as coisas, de que nos adiantaria parar o tempo e o mundo, se isso faria com que nós também parássemos? E nós não fomos feitos para parar. Nós não queremos parar.
Em alternativa – uma alternativa mil vezes mais bonita, entenda-se – deixamos o tempo seguir o seu curso. E seguimos com o tempo, lado a lado. Mas, e aí é que reside a magia, capturámos ao tempo aquele momento. Aquele momento que, por impossibilidade nossa, não conseguimos imobilizar eternamente, é nosso para todo o sempre. Aquele momento: único, puro, mágico passou a fazer parte de nós, daquilo que somos, daquilo que viremos a ser. Como uma cicatriz (boa e bonita) que não mais nos deixará esquecer o que vivemos.
És uma pessoa muito especial e, por isso, Amo-te muito !
Diz-me que és capaz da suprema magia de transformar este momento em algo que dure para sempre. Que nada nem ninguém nos interromperá. Que os nossos corpos ficarão entrelaçados um no outro, sem tempo nem espaço.
Diz-me que farás com que os teus braços sejam os meus braços, que as minhas sejam as tuas pernas, que as nossas bocas sejam só uma, que os nossos corpos, de tal maneira unidos, se confundam e fundem um no outro.
Sei que, na prática, é impossível parar o tempo. Não conseguimos sustê-lo, não conseguimos impedi-lo de seguir em frente, não conseguimos congelá-lo. E, vendo bem as coisas, de que nos adiantaria parar o tempo e o mundo, se isso faria com que nós também parássemos? E nós não fomos feitos para parar. Nós não queremos parar.
Em alternativa – uma alternativa mil vezes mais bonita, entenda-se – deixamos o tempo seguir o seu curso. E seguimos com o tempo, lado a lado. Mas, e aí é que reside a magia, capturámos ao tempo aquele momento. Aquele momento que, por impossibilidade nossa, não conseguimos imobilizar eternamente, é nosso para todo o sempre. Aquele momento: único, puro, mágico passou a fazer parte de nós, daquilo que somos, daquilo que viremos a ser. Como uma cicatriz (boa e bonita) que não mais nos deixará esquecer o que vivemos.
És uma pessoa muito especial e, por isso, Amo-te muito !
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